sábado, 29 de dezembro de 2012

Acaso...






Tudo parece tão distante, tão difícil. As ruas já não tem o mesmo sabor de antes, as sombras já não aliviam o calor de outrora... E como falar de minhas doces folhas secas, e eu que as amava tanto, parece que eu as esqueci, já não tem mais poesia... Na verdade sou eu que ando mucho, sem graça... Sorrio para os amigos, faço o triste papel social... O meu coração seca...

Ontem alguém sorriu pra mim... Sério.  Sentir-me atraente, vivo... Pensei! ainda posso despertar o olhar de alguém... Aquela emoção tão esquecida, que uma conquista nos causa, aquele desejo de olhar e não olhar, quando percebemos, já estamos olhando e pego no flagra... O Coração pulsa diferente, alegre, agitado... E foi olhares trocados, sorrisos largos, bebidas, cigarros, ares de interior... Depois saio com aqueles olhares no pensamento... Vago um bom tempo pelas ruas embaixo de uma lua clara e atraente...  

*Imagem livre de internet

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Diz a Ele...




Diz a ele que estive aqui essa noite
Assim como todas as manhãs que seguiram-se desde sua partida
Ao partir deixastes tudo tão revirado
Não tenho mais vida nessa bagunça que deixastes  

Diz a ele que não consigo deixar sua memória morrer
Ainda estás tão vivo dentro de mim
É como se te encontrasse pela a primeira vez
E cada manhã que volto é na esperança de vê-lo

Diz a Ele que o porto não tem mais vida, morre
Tudo está coberto por um cinza infernal
Acabaram-se... tudo acabou... morreram

Diz a Ele que a ideia de morte me atormenta
Eis que partirei em breve, não voltarei mais ao nosso Cais
Nosso? Nada nunca foi nosso.

Diz a Ele que enlouqueço  

*imagem livre de internet 
**o gênero é pura adequação literária




É impossível ouvir Frank Sinatra e ler qualquer coisa de Caio Fernando Abreu e ser indiferente. Ando indiferente aos meus sentimentos há tanto tempo, não tenho parado para me perceber, às vezes prefiro esquecer de mim... Tenho feito isso, me esquecido. E nesta noite insossa, alguns pingos de chuva, calor, sem brisa e sem “Anarina”, ao ler uma Epifania de Caio, sinto o sangue fluir em meu peito, quase adormecido de tanta solidão. Ando triste. Na verdade sou triste e vocês bem o sabem. Sabem ainda que o que escrevo não passa de lamentos ridículos, mais o que sou se não esses lamentos? Ando cansado de muita coisa, cansado de mim... “Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta” (Camille Claudel), na verdade essa assertiva de Camille seria uma epigrafe, e eu a uso como um ponto final...    

*imagem livre de internet
**Perdão pelo texto ruim, mais precisava escrevê-lo e publica-lo.  

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Eu



Estive por aí, com tanta coisa na cabeça e no coração. Tenho sofrido bastante. Sinto-me perdido novamente, não sei o que fazer aonde ir, o que falar, a quem me dirigir, tudo parece uma confusão. É bem possível que me decepcionei comigo... E agora não consigo me perdoar... E eu tinha tanta coisa, tantos sonhos... Talvez com a primavera não surja um novo tempo.

Crepúsculo nublado prenuncio da primavera, talvez hoje eu abra o gás. 

*Imagem livre de internet


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Busca inútil





Hoje eu desejei a chuva, embora não goste muito dela... Não é que não goste propriamente da chuva, mais o pós-chuva, me deixa mais triste ainda, é insuportável... Hoje estou à beira do Cais, sozinho, banhado por tantas dores e o Cais é capaz de me deixar  morto, junto-me a paisagem, as coisas. O Cais está vazio, cinza e nenhum paquete à vista... Fico ali parado por horas a fio, permito-me sentir todas as dores do humano, desgraçado e fraco que sou de tantas coisas para ser teria que ser exatamente eu, poderia ser a primeira folha a desgarrar o tronco no outono, não teria pesar por isso, deixaria o vento me levar para qualquer canto e alimentar a Terra mãe bendita. Não! Teria que ser eu o que sou? E o que sou, se não um mendigo, a andar por aí em busca de sentido e comida para manter-se vivo. A busca é inútil, a caminhada não, a comida também inútil, para que alimentar um ser que mais merece o desprezo, e quantos outros seres querem esse alimento, e não podem tê-lo, eles são melhores, não precisam pensar no alimento, eles alimentam-se e pronto... Com erros ridículos vou dormir, e se não acordar, bendirei a primeira pá de terra a cobrir meu rosto...      

*imagem livre de internet


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Não




Hoje estou entristecido
Hoje o amor é um sonho distante
Uma pena voando
Uma pipa no céu azul solta da linha...

Hoje tenho vontade de dormir e não ver o dia
Hoje tenho vontade de comer a poesia de Florbela
Hoje seria bom se não me encontrasse com meu semelhante
Hoje faria o solitário sem pesar...

Hoje beberia o veneno em que um dia me estendestes
Hoje morreria sem pesar, sem lágrimas e nem rancor
Hoje olharia para a vida como aquele que sente saudades mesmo antes do adeus...

Hoje seria só eu me velando, sentado a beira de meu próprio funeral
Hoje esqueceria tudo para lembrar, sim lembrar
Hoje, hoje, hoje, hoje, só, sem amanhã...

*imagem livre de internet

sábado, 11 de agosto de 2012

Erros...



Quantos dias não dormidos,
Pensando no que fiz de errado quando quis acertar...

Quantas saudades do que poderia ter feito,
Para ter-te hoje, dividindo o mesmo ethos...

Quantas horas perdidas vagadas por aí,
Buscando um sentido por não tê-la ao meu lado...

Quantas coisas faço,
Pensando que eras para ti que deveria ter feito...

Quantos momentos de solidão,
Pois no momento em que nos encontramos nos perdemos...

E eu te quis tanto, não imaginas como,
Por tanto te querer, que eu não soube como ter-te...

*imagem livre de internet