sábado, 29 de dezembro de 2012

Acaso...






Tudo parece tão distante, tão difícil. As ruas já não tem o mesmo sabor de antes, as sombras já não aliviam o calor de outrora... E como falar de minhas doces folhas secas, e eu que as amava tanto, parece que eu as esqueci, já não tem mais poesia... Na verdade sou eu que ando mucho, sem graça... Sorrio para os amigos, faço o triste papel social... O meu coração seca...

Ontem alguém sorriu pra mim... Sério.  Sentir-me atraente, vivo... Pensei! ainda posso despertar o olhar de alguém... Aquela emoção tão esquecida, que uma conquista nos causa, aquele desejo de olhar e não olhar, quando percebemos, já estamos olhando e pego no flagra... O Coração pulsa diferente, alegre, agitado... E foi olhares trocados, sorrisos largos, bebidas, cigarros, ares de interior... Depois saio com aqueles olhares no pensamento... Vago um bom tempo pelas ruas embaixo de uma lua clara e atraente...  

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Diz a Ele...




Diz a ele que estive aqui essa noite
Assim como todas as manhãs que seguiram-se desde sua partida
Ao partir deixastes tudo tão revirado
Não tenho mais vida nessa bagunça que deixastes  

Diz a ele que não consigo deixar sua memória morrer
Ainda estás tão vivo dentro de mim
É como se te encontrasse pela a primeira vez
E cada manhã que volto é na esperança de vê-lo

Diz a Ele que o porto não tem mais vida, morre
Tudo está coberto por um cinza infernal
Acabaram-se... tudo acabou... morreram

Diz a Ele que a ideia de morte me atormenta
Eis que partirei em breve, não voltarei mais ao nosso Cais
Nosso? Nada nunca foi nosso.

Diz a Ele que enlouqueço  

*imagem livre de internet 
**o gênero é pura adequação literária




É impossível ouvir Frank Sinatra e ler qualquer coisa de Caio Fernando Abreu e ser indiferente. Ando indiferente aos meus sentimentos há tanto tempo, não tenho parado para me perceber, às vezes prefiro esquecer de mim... Tenho feito isso, me esquecido. E nesta noite insossa, alguns pingos de chuva, calor, sem brisa e sem “Anarina”, ao ler uma Epifania de Caio, sinto o sangue fluir em meu peito, quase adormecido de tanta solidão. Ando triste. Na verdade sou triste e vocês bem o sabem. Sabem ainda que o que escrevo não passa de lamentos ridículos, mais o que sou se não esses lamentos? Ando cansado de muita coisa, cansado de mim... “Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta” (Camille Claudel), na verdade essa assertiva de Camille seria uma epigrafe, e eu a uso como um ponto final...    

*imagem livre de internet
**Perdão pelo texto ruim, mais precisava escrevê-lo e publica-lo.  

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Eu



Estive por aí, com tanta coisa na cabeça e no coração. Tenho sofrido bastante. Sinto-me perdido novamente, não sei o que fazer aonde ir, o que falar, a quem me dirigir, tudo parece uma confusão. É bem possível que me decepcionei comigo... E agora não consigo me perdoar... E eu tinha tanta coisa, tantos sonhos... Talvez com a primavera não surja um novo tempo.

Crepúsculo nublado prenuncio da primavera, talvez hoje eu abra o gás. 

*Imagem livre de internet


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Busca inútil





Hoje eu desejei a chuva, embora não goste muito dela... Não é que não goste propriamente da chuva, mais o pós-chuva, me deixa mais triste ainda, é insuportável... Hoje estou à beira do Cais, sozinho, banhado por tantas dores e o Cais é capaz de me deixar  morto, junto-me a paisagem, as coisas. O Cais está vazio, cinza e nenhum paquete à vista... Fico ali parado por horas a fio, permito-me sentir todas as dores do humano, desgraçado e fraco que sou de tantas coisas para ser teria que ser exatamente eu, poderia ser a primeira folha a desgarrar o tronco no outono, não teria pesar por isso, deixaria o vento me levar para qualquer canto e alimentar a Terra mãe bendita. Não! Teria que ser eu o que sou? E o que sou, se não um mendigo, a andar por aí em busca de sentido e comida para manter-se vivo. A busca é inútil, a caminhada não, a comida também inútil, para que alimentar um ser que mais merece o desprezo, e quantos outros seres querem esse alimento, e não podem tê-lo, eles são melhores, não precisam pensar no alimento, eles alimentam-se e pronto... Com erros ridículos vou dormir, e se não acordar, bendirei a primeira pá de terra a cobrir meu rosto...      

*imagem livre de internet


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Não




Hoje estou entristecido
Hoje o amor é um sonho distante
Uma pena voando
Uma pipa no céu azul solta da linha...

Hoje tenho vontade de dormir e não ver o dia
Hoje tenho vontade de comer a poesia de Florbela
Hoje seria bom se não me encontrasse com meu semelhante
Hoje faria o solitário sem pesar...

Hoje beberia o veneno em que um dia me estendestes
Hoje morreria sem pesar, sem lágrimas e nem rancor
Hoje olharia para a vida como aquele que sente saudades mesmo antes do adeus...

Hoje seria só eu me velando, sentado a beira de meu próprio funeral
Hoje esqueceria tudo para lembrar, sim lembrar
Hoje, hoje, hoje, hoje, só, sem amanhã...

*imagem livre de internet

sábado, 11 de agosto de 2012

Erros...



Quantos dias não dormidos,
Pensando no que fiz de errado quando quis acertar...

Quantas saudades do que poderia ter feito,
Para ter-te hoje, dividindo o mesmo ethos...

Quantas horas perdidas vagadas por aí,
Buscando um sentido por não tê-la ao meu lado...

Quantas coisas faço,
Pensando que eras para ti que deveria ter feito...

Quantos momentos de solidão,
Pois no momento em que nos encontramos nos perdemos...

E eu te quis tanto, não imaginas como,
Por tanto te querer, que eu não soube como ter-te...

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segunda-feira, 30 de julho de 2012

...



Ao meu amigo Claudinei

E ficam esses dias de pequenas coisas, pequenos momentos, um chá, um café, uma música de bolso, uma tarde na varanda vendo o sol e as sombras das coisas, a brisa leve prenúncio da primavera, lembrança de um amigo, de um lugar, de um amor outrora vivido. Isso me traz uma nostalgia, e faz-me alegre... Alegria é um estado de alma, que combina com esses momentos, que nos deixa em paz e nos faz querer viver, embora a tristeza esteja sempre lá, escondidinha dentro de um cantinho da caixinha de Pandora. E assim vou me fazendo e sendo feito, olhos sempre atentos, vago às vezes, ou bem focado. Pode ser que atrás daquelas árvores em forma de cerca exista um córrego, de água tranquila e fria, por lá me deitarei à espera da primavera que mudará o cenário, que dará uma novo vigor, embora ilusório... Sim precisamos de ilusão, de fantasia, do desejo do impossível, da vontade nova de que fosse verdadeiro, e É. Como alguém pode dizer que não, se o meu acreditar é maior que tudo...

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terça-feira, 17 de julho de 2012

Memória...








Eu estava com 07 anos, era o ano de 1989, depois de uma longa estadia na cidade retornava a fazenda em companhia de uma tia. Chegamos por volta das 17:30h, encontramos uma casa fria e escura, algumas brasas na fornalha, com meu avô habitando aquele ethos. Era uma tarde calma e silenciosa, acabara de chover, os cajueiros ainda molhados exalavam um cheiro tão familiar de mato e terra molhada, ouvia-se no ar o canto de alguns pássaros... Diante daquela tarde eu parei, pela a primeira vez eu via, tinha certeza que me via vendo. Foi a primeira vez que me sentir sozinho, a primeira vez que experimentei aquela solidão, que a tanto me fazia chorar e que faria parte de mim, que se confundiria com o que eu seria dali por diante. Foi naquela tarde, fria e triste de maio que me descobrir triste. Hoje vejo essa memória, muito nítida, como uma tela imóvel diante de mim, e ela me faz chorar... Não escolhi ser triste, como não escolhemos tantas coisas na vida, aquele dia me fez triste, é por isso que hoje carrego nos olhos essa tristeza que alimenta minha alma e minha poesia... Com o coração em pedaços vou dormir, com um laço vermelho a Iansã, deixo-vos.

**Talvez volte a escrever sobre esse dia...

sábado, 14 de julho de 2012

Noite...




Então eu fiquei em casa abraçado aos joelhos,
A vida acontecendo lá fora, e eu aqui parado em mim,
O sonho do amor ainda está, insiste em não me deixar em paz,
A noite é um mistério, a possibilidade e a impossibilidade andam juntas,

A noite é dos pequenos amores, e dos grandes também,
A noite é das ilusões, dos medos, das fragilidades,
A noite é do desejo de eternidade, das juras para sempre, que não durará a luz do dia,
A noite é minha alma gêmea, a que mais se parece comigo,

As pessoas ficam bonitas para a noite, para os olhos da noite,
A noite é triste, não sabe ser mãe, a noite é o descaso da vida,
Quando acabará minha noite? Escuro, tudo está escuro...

*imagem livre de internet

quinta-feira, 12 de julho de 2012

...





Hoje estou com a alma livre, sonhando, tomando café e ouvindo Bethânia...
Hoje gosto do dia, gosto de suas possibilidades, gosto de me sentir vivo...
Hoje até gosto das atividades domésticas, gosto de olhar a casa e me sentir seu...
Hoje esqueço as questões ontológicas e me apego às metafísicas...
Hoje gosto de me sentir minimalista, pequeninas coisa, música de bolso, ou de apartamento...
Hoje me aventurarei em busca de um presente para uma amiga...
Hoje me sinto apaixonado, pensando em outro ser...

*imagem livre de internet 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Era ela...




A  Bell linda Flor

Ela tinha toda a leveza da poesia de Vinícius
Tinha no corpo o gingado do samba de Cartola...
Tinha a sensualidade de Lily Braun, na voz de Chico
Ela amava? Sim. Sofria por amor? Sim, como a todos mortais...

Ela era forte, como uma personagem de Clarice,
Era menininha, moça, mulher formosa, que deixavam os jovenzinhos loucos
Ela se aventurava por amores, poesias, vinhos e Bruni
Ela acreditava, amava uma mulher de vila chamada Cora

Ela já amanheceu em Ipanema, viu o sol nascer no Arpoador
Ela acreditava em fadas, em anjos e santos, acreditava na terra e sua força
Ela acreditava na vida, e ainda amava, amava a vida não por que ela era boa
Mas era a possibilidade possível

Passaria a noite a falar dela, poderia dizer de suas aventuras na Europa
Poderia falar que ela era uma amiga dessas que não se encontra todos os dias
Poderia dizer de seu lado materno, seu abraço, seu sorriso do vinho maravilhoso,
 Das taças que comprastes, pois era inaceitável tomar vinho em copo...

Poderia dizer da amizade que eu sentia por ela,
Do amor,
Da saudade...

**o texto está no passado por puro gosto literário...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

...




Hoje percebo ao ver-te que
Tens tanto de mim em ti e
De ti em mim...

Mudamos fisicamente, envelhecemos,
Acreditamos diferente,
Namoramos diferente...

Más eu estou aí e você aqui,
Ambos latentes, negando a si mesmo
Que o desejo não corre em nossas entranhas...  

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domingo, 1 de julho de 2012

Contradição






Hoje desejo sua presença como a tanto não desejava. Hoje eu perderia todo o tempo do mundo com você. O que sinto não é uma simples saudade ou nostalgia. O que sinto ultrapassa isso, é muito maior, me arriscaria a dizer que é toda a metafísica, hoje poderíamos ir ver Caetano, ou simplesmente andar em silêncio ou até mesmo ficarmos juntos em qualquer lugar. Não sei por onde andas com quem vive como vive se ainda fala em mim, uma vez ou outra quem sabe, talvez evite ouvir Bethânia, só para não ter que admitir minha presença em seus pensamentos. Posso lhe dizer, que o começo do esquecimento já é o esquecimento em si, não sofro mais escrevendo isso, então começo a te esquecer, ou será que já te esqueci?

*Imagem livre de internet

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Eu ao contrário




Eu ainda estou aqui
Pensando no que posso
No que encontrarei pela frente
Abandonando velhas roupas, velhos amores, velhos perfumes...

Eu ainda passo nessas ruas
Ainda gosto, das mesmas músicas,
Do café, das manhãs de sol, das poesias, das brisas
Do cheiro de vida que brota da terra molhada...

Preparo meu coração, para um novo outono
Para as folhas secas que cobrirão seu solo
Para sementes brotarem, na nova primavera

Eu ainda estou aqui
Com poucas saudades, e com muitos sonhos
Com a tristeza que me salta aos olhos, porém me é peculiar 

*imagem livre de internet

sábado, 9 de junho de 2012

Dia Cinza...



Ao levantar me deparo com um dia cinza e frio. Até que enfim faz um dia de inverno em Goiânia, ao me arrumar para ir à terapia, visto calça jeans branca, all star e camiseta com um azul de Nossa Senhora e Yemanjá. Deixo o frio invadir meu corpo, gosto de senti-lo, faz-me sentir vivo.

Querida Bell, tive tanto desejo em te escrever que antes de chegar ao consultório, saio em busca de um papel para lhe escrever, más, teria que ser um papel bonito, porém tenho um problema, só tenho 10,00 reais para passar o dia, almoçar pelo menos, o papel custa 9,80 desisto. Sair da loja de papéis, más não conseguir ir longe, voltei comprei o papel. Agora tenho o papel, sua presença metafísica e 0,20 centavos para passar o dia...

Sento em um café para lhe escrever, não é um café como os que visitastes em Paris, mais a mesa é bonita e se a moça me vender um café por 0,20 centavos então tudo estará perfeito... Chego ao balcão pergunto a atendente se ela me faz um café por 0,20 centavos, ela me olha não diz nada e me serve o café, detalhe em um copo descartável...

Hoje te chamarei de anjo, meu anjo, anjo de Petrópolis, anjo de Cora, anjo de Paris, Porto, Roma e é claro meu Rio de Janeiro, posso lhe confessar?  estou com saudades... Ao sair peguei um livro em minha biblioteca, “Pequeno Epifanias” C. F. Abreu. Ele recomenda em uma determinada Epifania, que fosse lida ao som de Caetano, achei um luxo, adoro essas coisas que só os escritores sabem dizer, nessa epifania percebo-me igual ao Caio, triste e andando pelas ruas de São Paulo e eu, é claro em Goiânia. De certo que uma frase diz muito do que sinto hoje, ao reler a frase as lágrimas vieram, “Ah como eu precisava tanto que alguém me salvasse do pecado de querer abrir o gás”...

Lendo sem nenhuma pretensão me deparei com essa joia, me retrata. Assim como o dia está cinza, eu também estou, nem o azul da blusa com a calça branca é capaz de me salvar...
Anjo com um beijo deixo-te, gostaria que estas palavras bobas e “sentimentaloides”, fossem lidas por você hoje, mais isso é impossível, só irá lê-las quando tiver um portador...

Obs. 1. Mande seu endereço e me escreva, nem que seja uma única linha. Aguardo com saudades.

Obs. 2. Escrever é como está vivo, corremos o risco de errar, por isso, perdoe os erros de língua portuguesa, pois fui alfabetizado no Ensino Público da década de 80, em uma aldeia...

Do sempre seu com vontade de abrir o gás... 

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

DoceNostagia II



Hoje sinto saudades de um tempo,
Tempo que era possível sentir o perfume das coisas,
Tempo de areia fria nos pés, água na fonte, mato a esfolhar-se nos ventos,
Tempo em que ser feliz não precisava saber,
Tempo em que a Lua era minha amiga junta com os cajueiros ,
Tempo em que a chuva me causava uma tristeza mórbida,
Tempo de um Sol, que me fazia bem simplesmente pela a claridade e calor,
Tempo de brincadeiras de polícia e bandido,
Tempo  de futebol com bola de meia e leite de mangaba ,
Tempo de descer ladeiras,
Tempo de cana, arroz doce, canjica, arapucas e piabas,
Tempo da casa da tia querida, Tia Leó,
Tempo de busca pelo o infinito,
Tempo de minha Senhora Dona Raimunda...

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

A Espera...








Tenho tanta coisa para dizer-te,
Mas como falar se o que mais quero é voltar meus olhos para ti
Quero olhar, ver, sentir, beijar esse rosto que outrora tanto amara
Esse rosto que tanto me causa saudades

Tenho, um sol para lhe oferecer, para aquecer nossos dias
Quero o brilho, Luz, sim quero você,
Quero esse seu sorriso de menina encabulada 
Volte eis me aqui na vereda em que juntos cruzamos um dia

Tenho uma Lua, silenciosa para lhe oferecer no nosso reencontro
Quero lhe oferecer esse amor que guardei
Quero que ouçamos “Estranho Rapaz” música que marcou um dia nossos domingos
Por que não volta logo? 

*imagem livre de internet
**Desculpe, poderia ser melhor elaborada, um dia reescrevo assim que você chegar...

domingo, 20 de maio de 2012

Medo...




A tarde está linda, muito sol, os pássaros cantam, Elis também, “eu preciso aprender a ser só”. Preciso encontrar com meu eu. Estou profundamente triste... Porém começo a recolher meus cacos, não quero colá-los, jogarei água e amassarei e os transformarei em um novo barro, quero ressuscitar novamente, inteiro, um novo vaso. Todas as vezes que nos encontramos nestes momentos de rupturas, temos o desejo do colo que acolhe, do silêncio, e  nos deixe chorar, até a última gota... Não tenho este colo, tenho minha fé, meu Deus e é nele que me entrego neste momento... Queria fumar alguns cigarros, queria não ter que dar satisfação, queria não ouvir as criticas, os “eu sabia”, gostaria de fugir das profecias dos que disseram que não daria certo, gostaria de fugir das tristezas que causarei a outros que amo... queria fugir da dor do recomeço...  

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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cores




Às vezes tenho necessidade de cores. Hoje estou assim, a tristeza é tanta e uma angústia tão conhecida assola meu coração. O melhor seria se não tivéssemos passado, pois assim, não precisaríamos nos deparar com ele... Não temos como virar o rosto para o lado e fingir que não vimos, que aquilo não nos faz falta, que não nos atinge, pois na verdade nossos olhos saltam em nossa frente e conta tudo, em um grito silencioso... E essa necessidade de cores que tenho hoje é justamente para disfarçar a dor que sinto a tristeza e a vontade de chorar, que tanto meus olhos denunciam... Qualquer dia morro, e que o leito eterno seja mais generoso, para mais um Werther, que passa por essa Charneca fria e triste... Quero Cores... 

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Amar-te, Esperar-te, Viver-te





Amar-te, amar-te, amar-te
Vivo a espera de um amor que se foi
Ai de mim, desgraçado que sou
Por que amar-te tanto fui eu?

Esperar-te, esperar-te, esperar-te
Por que viver a espera inútil do que foi
Se nunca fostes meu
Desgraçado homem sou por esperar-te

Viver-te, viver-te, viver-te
Vivo esta manhã de inverno fria e mórbida
Como posso com a alma gelada, viver, esperar, amar
Desgraçado sou por amar-te ainda depois de tantos anos

Amar-te, Esperar-te, Viver-te
Tenho na alma cravado estes três verbos
Se é que ainda tenho alma, tenho noite
Só tenho noite à alma se foi, eis que morro...

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**esta tarde insana fria, que poderia não ter vivido...


terça-feira, 8 de maio de 2012

Tristeza/Alegria

* A  todos os amigos e amigas 



Penso que existem dois tipos de poetas, aqueles que são tristes e aqueles que são tristes/alegres. Eu tenho maior devoção pelos que são tristes, a beleza desta tristeza poética me encanta, e alimenta meu ser... Eu não sou poeta e nem tenho tamanha pretensão. Gostaria mais não fui agraciado com tamanha graça...

Imaginei que tão cedo não voltaria a escrever, pois só escrevo quando estou triste, tristeza essa que me acompanha desde sempre... Porém vivo um oásis, tenho vivido dias felizes, alegres, coisa rara em minha vida, há séculos tal momento não acontecia...  

Essa cidade com seu Sol claro, vibrante, quente e com uma Lua de intensidade parecida, já foi para me palco de grandes tristezas, mais também de um amor destes sofridos e que lembraremos com saudades (embora sem sofrimentos) por longas datas...

 Mais estes dias aqui vividos, indica que este sofrimento de outrora se dissipa, esvai-se, adeus e vá com Deus, nenhum ser humano merece sofrer tanto por alguém, nem mesmo Werther... Meu coração e minha alma suavizam, sente a brisa e se alegra com esse novo momento, os grandes amores têm disso...

Ainda me apaixonarei muito e sofrerei muito, pois, para me os amores tem que ser intensos, tem que fazer-nos alegres só com a possibilidade do encontro e tristes com o não vir, tem que nos doer o coração quando pensamos e sentimos saudades...

Meus amigos mais próximos dizem que sou ultrarromântico, e sou... Gosto do olhar, do andar e dos ombros se tocarem, gosto de ganhar flores, livros de poesia, penso que até uma ida ao supermercado pode ser um programa romântico...

Por fim vou aproveitar meu oásis, sei que a tristeza não tarda. Mais hoje quero viver, sorrir, amar... Outro dia disse a uma amiga que o tempo das utopias haviam se acabado, hoje volto atrás e digo ELES ESTÃO APENAS COMEÇADO... Com Coldplay termino essa pequena epifania... 

*Foto livre de internet...
**Para nos apaixonarmos, amarmos  não necessariamente temos que ter fatos empíricos se entendemos o amor como busca...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Da Solidão II




A noite está tranquila e calma, no campanário reina um silêncio sagrado. Abro a janela do quarto e recebo no rosto uma brisa silenciosa e fria. No som uma voz melodiosa que tanto gosto, embala meus sentimentos e lembranças.  Ouço o som do vento nas árvores do jardim, um pouco de tristeza invade a solidão do meu ser. Tenho desejado ardentemente viver essa solidão, esse exílio, que eu mesmo escolhi viver... Passei nesses dias por lugares solitários, montanhas, vales, córregos, planícies... Olhos esses lugares e sinto o desejo de colocar meus pés em seus prados e caminhar, rememorando as minhas dores, buscando essa solidão que tanto o meu ser deseja. A noite continua a fazer-me triste, ouço ao longe os pios das corujas na Praça da Igreja. como um ritual de todas as noites, vou ler um pouquinho de Fernando Pessoa, Florbela, e São João da Cruz... Com uma enorme vontade de sair e andar um pouco pela noite, sentir sua brisa leve e fria vou dormir... Gostaria de sonhar...

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domingo, 22 de abril de 2012

Final de outono...




Já estamos quase no final de outono, e eu quase não escrevi. Lembro-me das tardes belas e tristes já vividas em outros outonos, em outros lugares, outros ventos, outras folhas secas... Sinto falta de muitas coisas, me sinto só, como quase que a vida inteira. Tenho encontrado um pouco de paz e alegria com alguns amigos, com meus CDs e meus livros. Neste outono a vida mudou o percurso totalmente, deixei a estação e peguei outro caminho, outrora já iniciado. O caminhar hoje tem outro sabor. Embora o caminho não exista, sei onde quero chegar. Tenho sonhos, tenho companheiros na caminhada que junto comigo acreditam no valor deste sonho... Sinto-me triste, como sempre a tristeza junto com a fé é a seiva que alimenta meu ser... Hoje depois de tanto tempo sentir o vazio da morte... Como podemos assim deixar de existir, posso compreender C. Lispector quando bradava aos céus “não quero morrer, ouviu Deus”, é incabível pensar neste momento... Não faço o mesmo brado de Clarice, o meu é que não deixe a poesia que amo morrer, o mundo ficaria sem graça e sem sentido sem ela... Ao som de Norah Jones, vou tentar sonhar...

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Imagem de uma saudade...




Eu fiquei tanto tempo naquela estação, como a música de Caetano. Tentei dissuadir sua partida, mais foi inútil... Você partiu. Quanto tempo meu Deus, meu coração ficou naquela estação, parado esperando sua volta. Quando vi você entrar naquele trem, não sei como sobrevivi, como sobreviveria os dias que seguiriam a partir daquele momento. Confesso que meu desejo era correr atrás e te tira-lo de lá a qualquer preço, más não poderia escolher por ti...

Tantas vezes, voltei àquela estação, principalmente no outono. O outono com suas folhas secas sacudidas pelos ventos testemunharam minhas dores.  Como eu queria que você não fosse... como eu queria que você ficasse. Espero que tenha gostado das paisagens que encontrastes pelo caminho.

Hoje meu coração deixa a estação, enfim entendeu que você não voltará. Agora sei de você porque somos amigos. Que palavra triste quando se ama...

*imagem livre de internet
***Essa música merecia mais porém me encontro em um estado de alma que não consegue mais.
****Para você, como alguns textos deste blog...

domingo, 1 de abril de 2012

Através da Tela


Ao mestre Brandão

Através da Tela surgem os primeiros movimentos
É a vida que brota, leve, solta até ingênua
Pássaro livre, brisa, sombra, sol
Encanto, vida

Através da tela sua vida se desvela
Poesia viva, vivida, homem forte, menino travesso
Através da Tela te vejo, te imagino...
É imagino teus dias de sol, de chuva, teus dias nublados

Através da Tela, surge os dias de drama, os dias românticos,
Os dias de tristeza, a alegria do renascimento
Através da Tela, em dia de Lua, você empresta seu coração à Sombra
És tu que vejo? Será que não?
Não sei, não sei...

Através da Tela vejo, sinto, a beleza de Apolo e Dionísio
Isso é vida...   
Velho? Não, a poesia não tem idade

segunda-feira, 26 de março de 2012

Movimento




Bethânia canta e faz o meu espírito sobreviver à desorganização intima que vivo neste dia... Como falar de tudo que sinto, de tudo que deixo. Deixo sem pesar, mais não me tira da tristeza de deixa-los. Os deixo justamente por ser livre, por poder fazer escolhas. Porém o filósofo já nos alertava para a angústia que as escolhas nos causam. Mas sempre deixamos um sonho tendo em vista outros, e que este nos traga a felicidade que tanto nossas almas anseiam. O percurso existe, caminho não e nem o caminhar, os dois acontecem a partir do momento que escolhemos sair da inércia do repouso “Parmendiano”, e nos colocarmos no movimento “Herácletiano”. Jamais alguém poderia entender o que sinto hoje, é um misto de alegria pelo percurso e pelo o inicio da caminhada, mais uma tristeza de um dia nublado e frio que está alojado em meu ser... Talvez eu chore, há muito não choro, quem sabe hoje me recordo das lágrimas que tanto me acompanhou durante meu caminhar pela a vida...   

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Doce Infância II




levantou e foi a um bar que havia em um hotel ali pediu um uísque e bebeu bem devagar, perguntou ao “barman” se não havia a possibilidade de se ouvir ali Maysa, o barman aceitou lhe o pedido, Henrique bebeu a bebida ao som de Maysa, chorou sem pudor, e o coração apertava ainda mais, era como se algo fosse acontecer, como se fosse morrer, sentia aquilo como se fosse inevitável. Pagou a bebida agradeceu ao “barman” e ia saindo, porém voltou e perguntou ao moço se poderia fazer uma ligação, ligou à casa de Felipe, mas sua irmã lhe avisou que ele já havia ido à universidade, Vera perguntara se tinha acontecido algo, se precisava de ajuda, mas ele agradeceu, disse que estava tudo bem, ligou ainda para Clarice mais ela também não estava em casa, pagou a ligação, agradeceu de novo e saiu, as lágrimas caiam por baixo dos óculos escuros. Vagou ainda por um bom tempo na orla, sentiu uma solidão que não experimentava há muito tempo, mais sentia que algo iria acontecer... Já era o segundo horário vespertino e ele não havia chego a universidade, Felipe e Clarice ligou para a Livraria e Barbara lhe disse que ele havia dito que o próprio Felipe iria busca-lo, Clarice despistou e disse que os dois não haviam chego mais deve que chegaria logo, os dois ficaram preocupados, mais como não era a primeira vez que Henrique fazia isso foram para a cantina... Henrique ficou mais ou menos uma hora ouvindo o som das ondas, saiu enfim para o campus (continua)   

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**Romance que escrevo
***Não houve correção de Lingua Portuguesa. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Romance (Doce Infância)


 Henrique pensara todos os longos dias de ausência, sentia saudades, era uma dor no peito que não sabia como suportava. Henrique muito criança e Barbara foram levados embora sem saber como a vida seria daquele dia em diante. Henrique agora com vinte e um anos, imaginava sempre por onde andava o seu amor de toda a vida e como vivia se ainda pensava nele, se ainda o amava se já encontrara alguém, se já havia casado, esses pensamentos o atormentava tanto, que até mesmo as dificuldades que a vida lhe impunha não tinha tanta importância... Naqueles anos todo de ausência Henrique não havia conhecido ninguém, ou melhor, nunca namorou, nunca beijara se quer outra pessoa, não que não houvesse candidatas, mais seu coração não havia espaço para outro ser. Sua memória estava perdida naquela fazenda, naquele amor. Embora fosse um menino alegre extrovertido, carregava consigo uma tristeza que o atormentava durante todos aqueles anos. Henrique escrevera tantas cartas, que jamais foram enviadas, principalmente porque aquele sentimento a principio não era tão normal, hoje sim tudo era mais claro. Porém não sabia por onde o sonho de infância andava... Hoje o dia estava nublado, embora não pudesse ver o dia Henrique era capaz de senti-lo, tinha aulas, fazia letras e arrumava as coisas para ir a Universidade, depois tinha uma reuniãozinha na casa de Felipe, beberiam, fumariam e muita discussão de literatura como sempre acontecia. Mas Ele não se sentia bem, para aquele programa, sempre gostava, mas naquele dia deixara se contaminar pela tristeza do dia frio e nublado, dispensou a carona da irmã que passaria para leva-lo a Universidade, disse que Felipe o buscaria, mas na verdade ele queria sair um pouco andar e depois tomaria um ônibus e iria. A saudade naquele dia quase o sufocava, fez lembrar-se da poesia de Florbela, do amor impossível, lembrou-se de Werther, e saiu assim sem sentido, foi até Ipanema, subiu até o Arpoador, ouviu o som das ondas, sentiu os pingos de água salgada molhar-lhe a face, quis ouvir uma música triste, sentou um pouco, desejou poder ver aquela paisagem...(continua)


 * Nome provisório
**Imagem livre de internet
*** Este texto pertence a um romance que escrevo, vou publicar este dia tão importante na vida de Henrique...            
****Não houve Correção de português