domingo, 18 de maio de 2014

Desespero de um andarilho



A brisa acaricia e abraça meu ser nesta cidade que pouco sabe de mim. Ando a beira da loucura e ela não sabe, sinto tanto por tudo. Não soube lutar quando devia. E agora o frio desta noite calma parece meu infortúnio derradeiro. O que fazer?  Pergunta-me ela. Estou perdido. E a tentação de pular nesse vazio faz-me lembrar Werter naquela noite fatídica em que recebe das mãos daquela a que dedicara seu amor, sua sentença.

Todo desejo do ser é de partir, e o meu não é indiferente. Maldito o dia em que existiu Sartre e suas escolhas. Guimarães tinha razão quando o viver era perigoso. Talvez um último olhar, com a lágrima e o nó na garganta, mas, jamais o adeus. Poucos merecem nosso adeus. Por que não te afastas brisa? Deixe-me, quem saiba o gás seja aberto. “Morrer! Morrer não dói” lembra-nos o poeta... E que o pular seja o fim. Para os crentes um novo início... Eu não. Prefiro o vazio do não ser... E esse é o fim, que seja sem adeus.


Campo Grande, 2014


*Fotografia em site livre na internet.
**Texto sem correção. 










sábado, 1 de fevereiro de 2014

As folhas secas


Por algum tempo, bastava acreditar que seria possível aquele amor. Bastava sentir o vento ao por do sol ao seu lado. Bastava o andar descompromissado, muitas vezes em silêncio, pois não havia necessidade de voz, era justamente no silêncio que nossas almas se encontravam e se entendiam.

Por algum tempo bastava esperar a noite para sentir o cheiro de seus cabelos, para perceber o cansaço nos seus olhos, e eles mesmo eram capazes de dizer que a vida valia apena, e que toda metafísica estava em nossos abraços.

Por algum tempo bastava sonhar com os dias futuros, e os nossos sonhos se encontravam em nossos olhares, dançavam e se confundiam uns com os outros, e já não sabíamos quais eram os seus e nem os meus.

 Por algum tempo bastava acreditar que existia eu e você ou você e eu.
Por algum tempo bastava acreditar que não havia no mundo problema maior que nosso amor, e que se houvesse estaríamos juntos.

 Por algum tempo...

Hoje percebo olhando para nossas memórias que na verdade não bastavam, ou nos perdemos. Hoje não sei de você, também não sabe de mim. Talvez nunca mais saibamos...

Depois que se foi meus dia ficaram mais tristes e cinza, me perco fazendo os mesmos caminhos que fazíamos...


As folhas secas este ano parecem que entendem minha dor, elas são tímidas e quietas... 

*imagem livre de internet

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

verso mínimo



Eu não caibo em conceitos...
Não sei amar...
Também não sei ser imparcial,
Há quem diga que não há imparcialidade no amor...
Se o amor não vai embora...
Eu vou...

Adeus....

sábado, 25 de janeiro de 2014

Esquecer



Não me ensinaram a esquecer...
O abraço na porta
Os beijos no nosso melhor inverno
Aquela música que só de ouvir me fará lembrar você

As lembranças do nosso amor
Os perfumes experimentados 
As idas ao supermercado
As mensagens no meio da madrugada

Esquecer deveria ser de primeira ordem, sim
Meu coração não aguenta mais
As lembranças são demônios a me atormentar a essa hora da vida
Hora essa que a luz se apaga e não consigo dormir...

Não me ensinaram a esquecer
Pois esquecer é morrer
Embora a morte esteja no âmago da vida
E a morte é o esquecimento eterno...

Era essencial que tivessem me ensinado a esquecer 

*Imagem livre de internet
**Não houve correção ortográfica 

sábado, 30 de novembro de 2013

Da Solidão IV




O dia foi triste, porque era o prenúncio de uma noite trágica. A dor que sinto não é porque ele não veio. A dor que sinto é ontológica. Ela é do próprio ser, é minha, não foi acaso o acontecimento, pois desde cedo sentia que Ele não viria. É claro que essa dor que agora me corrói por dentro foi aguçada com a decepção, pois pensei mil coisas que poderíamos fazer ir comer, beber um vinho, ouvir música ou não fazer nada. Mais e agora? Agora tenho que suporta-la, ela é minha faz parte de mim. Dor essa que sei que possuo mais que não reconheço, embora ela seja minha como o nada que me constrói. Agora estou aqui tentando uma fuga... É vivemos de fuga, pois é impossível suportar a dor, essa dor ontológica.  Essa que só o ser corajoso é capaz de reconhecer. 

*Imagem livre na internet
**perdão pelos erros ortográficos 

sábado, 7 de setembro de 2013

Calou-se




Eu acreditei muito nesse amor,
Mais nunca soube o que era esse amor
Também nunca soube se queria saber
Sentia ele e isso bastava, era simples e isso era incrível, você estava aqui...

Também não sabia o que era ser simples
Sabia que o amava e que sonhava com sua volta
Acreditar bastava e me mantinha vivo, e você sempre voltava
 E a vida seguia entre verão e inverno, quente e frio...

Um dia você não voltou...
Na insensatez do amor mantinha me resignado
Buscava-a nos lugares por onde passávamos e fazia a vida acontecer
O não querer acreditar mantinha a ilusão do retorno

Tiveram-me por louco e estava por que só você bastava
Não conheci outro amor, não deixaste-me conhecer
Jurastes que era para sempre e nós acreditamos
E quando muito, estávamos juntos

Hoje o passado já entra em nossa poesia sem compaixão
Assim como você, ao sair e não voltar mais
O que farei das rosas? Das músicas? Dos nossos livros?
Não sei se o que dói mais, se é sua ausência ou a lembrança

Não estou acostumado a não ter você, ontem falamos
Hoje não falamos mais, nos calamos e o que nos resta
A dor do silêncio... E tudo é SILÊNCIO... Não existe mais o nós...
 
*Foto livre de internet 

Eu Lírico





Só sei ser intensa
Não amo pela metade, não existe a metade de mim
Não se tem a metade de um amor,
Também não se tem meia poesia, meia música, meia solidão, meia tristeza

Na minha loucura dou-me por inteira
Sempre me perdi não por ser ingênua, nunca fui ingênua
Me perdi pela intensidade do meu desejo de amar,
De ser amada...

Assim como Beauvoir desejo que me ame hoje
Mais que não queiram me fazer alegre
Alegria é a mimesis dos tolos
Não suporto os felizes, eles mentem, acreditam

Por que acreditam? Não sabem o por que
Eu não acredito, mais tenho a tristeza e amor às vezes
Não queiram saber de minha tristeza ou de minha  loucura,
dos meus amores, que foram tantos e só um

Ele ficou naquele outono
Volto às vezes nele, na minha loucura
Ele tirou-me a paz o pouco que restava e foi-se

Dei tudo a Ele, tudo. Não sei ser meia. Prefiro morrer

*Imagem Livre de internet
**Ele/Ela/ela/ele/eulírico