quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Eu



Estive por aí, com tanta coisa na cabeça e no coração. Tenho sofrido bastante. Sinto-me perdido novamente, não sei o que fazer aonde ir, o que falar, a quem me dirigir, tudo parece uma confusão. É bem possível que me decepcionei comigo... E agora não consigo me perdoar... E eu tinha tanta coisa, tantos sonhos... Talvez com a primavera não surja um novo tempo.

Crepúsculo nublado prenuncio da primavera, talvez hoje eu abra o gás. 

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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Busca inútil





Hoje eu desejei a chuva, embora não goste muito dela... Não é que não goste propriamente da chuva, mais o pós-chuva, me deixa mais triste ainda, é insuportável... Hoje estou à beira do Cais, sozinho, banhado por tantas dores e o Cais é capaz de me deixar  morto, junto-me a paisagem, as coisas. O Cais está vazio, cinza e nenhum paquete à vista... Fico ali parado por horas a fio, permito-me sentir todas as dores do humano, desgraçado e fraco que sou de tantas coisas para ser teria que ser exatamente eu, poderia ser a primeira folha a desgarrar o tronco no outono, não teria pesar por isso, deixaria o vento me levar para qualquer canto e alimentar a Terra mãe bendita. Não! Teria que ser eu o que sou? E o que sou, se não um mendigo, a andar por aí em busca de sentido e comida para manter-se vivo. A busca é inútil, a caminhada não, a comida também inútil, para que alimentar um ser que mais merece o desprezo, e quantos outros seres querem esse alimento, e não podem tê-lo, eles são melhores, não precisam pensar no alimento, eles alimentam-se e pronto... Com erros ridículos vou dormir, e se não acordar, bendirei a primeira pá de terra a cobrir meu rosto...      

*imagem livre de internet


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Não




Hoje estou entristecido
Hoje o amor é um sonho distante
Uma pena voando
Uma pipa no céu azul solta da linha...

Hoje tenho vontade de dormir e não ver o dia
Hoje tenho vontade de comer a poesia de Florbela
Hoje seria bom se não me encontrasse com meu semelhante
Hoje faria o solitário sem pesar...

Hoje beberia o veneno em que um dia me estendestes
Hoje morreria sem pesar, sem lágrimas e nem rancor
Hoje olharia para a vida como aquele que sente saudades mesmo antes do adeus...

Hoje seria só eu me velando, sentado a beira de meu próprio funeral
Hoje esqueceria tudo para lembrar, sim lembrar
Hoje, hoje, hoje, hoje, só, sem amanhã...

*imagem livre de internet

sábado, 11 de agosto de 2012

Erros...



Quantos dias não dormidos,
Pensando no que fiz de errado quando quis acertar...

Quantas saudades do que poderia ter feito,
Para ter-te hoje, dividindo o mesmo ethos...

Quantas horas perdidas vagadas por aí,
Buscando um sentido por não tê-la ao meu lado...

Quantas coisas faço,
Pensando que eras para ti que deveria ter feito...

Quantos momentos de solidão,
Pois no momento em que nos encontramos nos perdemos...

E eu te quis tanto, não imaginas como,
Por tanto te querer, que eu não soube como ter-te...

*imagem livre de internet

segunda-feira, 30 de julho de 2012

...



Ao meu amigo Claudinei

E ficam esses dias de pequenas coisas, pequenos momentos, um chá, um café, uma música de bolso, uma tarde na varanda vendo o sol e as sombras das coisas, a brisa leve prenúncio da primavera, lembrança de um amigo, de um lugar, de um amor outrora vivido. Isso me traz uma nostalgia, e faz-me alegre... Alegria é um estado de alma, que combina com esses momentos, que nos deixa em paz e nos faz querer viver, embora a tristeza esteja sempre lá, escondidinha dentro de um cantinho da caixinha de Pandora. E assim vou me fazendo e sendo feito, olhos sempre atentos, vago às vezes, ou bem focado. Pode ser que atrás daquelas árvores em forma de cerca exista um córrego, de água tranquila e fria, por lá me deitarei à espera da primavera que mudará o cenário, que dará uma novo vigor, embora ilusório... Sim precisamos de ilusão, de fantasia, do desejo do impossível, da vontade nova de que fosse verdadeiro, e É. Como alguém pode dizer que não, se o meu acreditar é maior que tudo...

*imagem livre de internet

terça-feira, 17 de julho de 2012

Memória...








Eu estava com 07 anos, era o ano de 1989, depois de uma longa estadia na cidade retornava a fazenda em companhia de uma tia. Chegamos por volta das 17:30h, encontramos uma casa fria e escura, algumas brasas na fornalha, com meu avô habitando aquele ethos. Era uma tarde calma e silenciosa, acabara de chover, os cajueiros ainda molhados exalavam um cheiro tão familiar de mato e terra molhada, ouvia-se no ar o canto de alguns pássaros... Diante daquela tarde eu parei, pela a primeira vez eu via, tinha certeza que me via vendo. Foi a primeira vez que me sentir sozinho, a primeira vez que experimentei aquela solidão, que a tanto me fazia chorar e que faria parte de mim, que se confundiria com o que eu seria dali por diante. Foi naquela tarde, fria e triste de maio que me descobrir triste. Hoje vejo essa memória, muito nítida, como uma tela imóvel diante de mim, e ela me faz chorar... Não escolhi ser triste, como não escolhemos tantas coisas na vida, aquele dia me fez triste, é por isso que hoje carrego nos olhos essa tristeza que alimenta minha alma e minha poesia... Com o coração em pedaços vou dormir, com um laço vermelho a Iansã, deixo-vos.

**Talvez volte a escrever sobre esse dia...

sábado, 14 de julho de 2012

Noite...




Então eu fiquei em casa abraçado aos joelhos,
A vida acontecendo lá fora, e eu aqui parado em mim,
O sonho do amor ainda está, insiste em não me deixar em paz,
A noite é um mistério, a possibilidade e a impossibilidade andam juntas,

A noite é dos pequenos amores, e dos grandes também,
A noite é das ilusões, dos medos, das fragilidades,
A noite é do desejo de eternidade, das juras para sempre, que não durará a luz do dia,
A noite é minha alma gêmea, a que mais se parece comigo,

As pessoas ficam bonitas para a noite, para os olhos da noite,
A noite é triste, não sabe ser mãe, a noite é o descaso da vida,
Quando acabará minha noite? Escuro, tudo está escuro...

*imagem livre de internet