sábado, 20 de abril de 2013

Absurdos...




Que noite é essa em que passo?
Sozinho, ando encolhido pelos vales de meu ser
Ar noturno, brisa leve, solidão espessa
Ó noite dos ventos mudos, dos abandonados e absurdos 

Ó noite o que esperas de mim?
Se eu me perder, que o dia não me alcance
Que a minha dor não seja diferente dos meninos da calçada
Noite do meu ser, noite de minha alma

Ó Deus por onde andares nessa noite?
Por que não voltares seu olhar por nós, meninos abandonados na solidão
Ó noite de minha alma deixe-me descansar

Ó noite, ó Deus, ó escuridão estou só
Por que meu grito não vos alcança?
Por que roubaram o pouco sorriso que eu tinha?

E eu que não gostava de sorrir...
Mais gostava da noite, da poesia
Por que me roubaram elas?

Roubaram o melhor de mim...


*imagem ilustrativa de internet

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Palavras



Pensar, amar, trabalhar
Trabalhar, pensar, amar
Palavras, palavras, palavras
Um beijo no rosto para não esquecer

Um dia quente
Dores de sentir o peso do dia
Peso da saudade das horas idas
E por onde elas andam?

Pensar, trabalhar, amar
Amar, trabalhar, pensar
Elas sempre voltam. E eu que as esqueci...
Mas elas sempre estarão presentes...

Vejo, não vejo, tudo aparece e desaparece
E o que aparece além das palavras? Signos do Eu...
E se são signos do Eu, o que é isso mesmo?
Nada além do que não vejo... Palavras...

*Foto livre de internet

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Fotografia



Fui atordoado com esta pergunta, feita por um não Humano, em um crepúsculo triste, e chuvoso, “Quem tu és”? Sem titubear respondi, sou uma sucessão de erros... Sou isso. O desejo de acertar, que fez tanta coisa, que amou tantos, e que viveu, na verdade teimou em viver... Sempre foi uma luta de não deixar a chama apagar, embora houvesse dia em que a tentação de tirar a redoma e deixar a vento levar aquele sopro ou aquele desejo da parafina de queimar me arrancava o que eu tinha de melhor... Mais sempre houve um ímpeto que barrava esse desejo, um sonho, uma música, uma tristeza, um perfume, uma pessoa ou as folhas secas... Já fui invisível, principalmente na infância, não fui desejado pelo seio materno, muito menos pelo o progenitor, nunca tive graça para os parentes, era mais o “estorvo” que não tinha para quem olhar... Como não ter uma única fotografia de infância? Crescer foi difícil, manter-se grande, não posso dizer... “posso dizer dos amores que tive” posso? Tive? Não sei em que imagem dessas realmente estive. Não sei, não sei por que elas parecem felizes, e por que essa tristeza a me assolar, a querer que eu tire a redoma... “não posso dizer da vida que tive” Embora tudo esteja aqui latente, querendo transformar-se em palavras, mais as pessoas tornarão a rir... O mundo, o mundo é insensível, e quem realmente se importa? Eu, sim. Eu por que sinto tudo doer, por que o desejo de afastar a redoma está aqui tão próximo... Fui ali viver em uma fotografia, ou em uma reticência...  As estradas são e foram longas...

Sem mais ou com mais, João

*Foto retirada de internet

domingo, 13 de janeiro de 2013

Ele...



Ele amanheceu se perguntando, O que fazer com a tristeza dos dias de chuva? Tudo quanto colocava o olhar estava cinzento, frio e triste. Como livrar-se das angústias que tanto tempo carrega no peito, na alma e nas entranhas? Ele saiu, andou embaixo de uma garoa fina e fria, tinha consciência que a vida poderia ter sido diferente, mais agora tudo parece pesar mais, às vezes pensa em desistir, pensa quase sempre, ainda tem um grama de esperança. Anda como quem não tem um caminho ou um objetivo, vez outra esbarra em um transeunte, as ruas parece ter as formas de seu corpo, pois cabe-lhes direitinho.  Deseja rezar, rezar com fé, piedade, e até o faz, más parece que sua fé é tão fraca e curta, Ele pensa que ela não conseguirá alcançar as Divindades e abaixa a cabeça. O dia parece esfriar ainda mais, como forma de punição tira o agasalho, sente o frio penetrar seu corpo, seu intimo, alguma lágrima cai, resiste, sente indigno até de chorar. Vem na lembrança um amigo que outrora amara, ainda ama, mais o amigo não o ama mais. Consegue sentir a tristeza de Werther, lembra dele com um ar tão familiar, tão íntimo, que tudo indica que logo se deparará com aquele dia tão íngreme e desolador com o qual Werther mergulha, continua caminhando, agora gelado, molhado e com raiva de si. Um pensamento, uma frase cerca-lhes o pensamento “um dia tudo seca”.   

* perdão pelos erros, ortográficos...
**imagem livre de Internet (http://www.tumblr.com/tagged/infelizes)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Acaso...






Tudo parece tão distante, tão difícil. As ruas já não tem o mesmo sabor de antes, as sombras já não aliviam o calor de outrora... E como falar de minhas doces folhas secas, e eu que as amava tanto, parece que eu as esqueci, já não tem mais poesia... Na verdade sou eu que ando mucho, sem graça... Sorrio para os amigos, faço o triste papel social... O meu coração seca...

Ontem alguém sorriu pra mim... Sério.  Sentir-me atraente, vivo... Pensei! ainda posso despertar o olhar de alguém... Aquela emoção tão esquecida, que uma conquista nos causa, aquele desejo de olhar e não olhar, quando percebemos, já estamos olhando e pego no flagra... O Coração pulsa diferente, alegre, agitado... E foi olhares trocados, sorrisos largos, bebidas, cigarros, ares de interior... Depois saio com aqueles olhares no pensamento... Vago um bom tempo pelas ruas embaixo de uma lua clara e atraente...  

*Imagem livre de internet

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Diz a Ele...




Diz a ele que estive aqui essa noite
Assim como todas as manhãs que seguiram-se desde sua partida
Ao partir deixastes tudo tão revirado
Não tenho mais vida nessa bagunça que deixastes  

Diz a ele que não consigo deixar sua memória morrer
Ainda estás tão vivo dentro de mim
É como se te encontrasse pela a primeira vez
E cada manhã que volto é na esperança de vê-lo

Diz a Ele que o porto não tem mais vida, morre
Tudo está coberto por um cinza infernal
Acabaram-se... tudo acabou... morreram

Diz a Ele que a ideia de morte me atormenta
Eis que partirei em breve, não voltarei mais ao nosso Cais
Nosso? Nada nunca foi nosso.

Diz a Ele que enlouqueço  

*imagem livre de internet 
**o gênero é pura adequação literária




É impossível ouvir Frank Sinatra e ler qualquer coisa de Caio Fernando Abreu e ser indiferente. Ando indiferente aos meus sentimentos há tanto tempo, não tenho parado para me perceber, às vezes prefiro esquecer de mim... Tenho feito isso, me esquecido. E nesta noite insossa, alguns pingos de chuva, calor, sem brisa e sem “Anarina”, ao ler uma Epifania de Caio, sinto o sangue fluir em meu peito, quase adormecido de tanta solidão. Ando triste. Na verdade sou triste e vocês bem o sabem. Sabem ainda que o que escrevo não passa de lamentos ridículos, mais o que sou se não esses lamentos? Ando cansado de muita coisa, cansado de mim... “Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta” (Camille Claudel), na verdade essa assertiva de Camille seria uma epigrafe, e eu a uso como um ponto final...    

*imagem livre de internet
**Perdão pelo texto ruim, mais precisava escrevê-lo e publica-lo.