quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cores




Às vezes tenho necessidade de cores. Hoje estou assim, a tristeza é tanta e uma angústia tão conhecida assola meu coração. O melhor seria se não tivéssemos passado, pois assim, não precisaríamos nos deparar com ele... Não temos como virar o rosto para o lado e fingir que não vimos, que aquilo não nos faz falta, que não nos atinge, pois na verdade nossos olhos saltam em nossa frente e conta tudo, em um grito silencioso... E essa necessidade de cores que tenho hoje é justamente para disfarçar a dor que sinto a tristeza e a vontade de chorar, que tanto meus olhos denunciam... Qualquer dia morro, e que o leito eterno seja mais generoso, para mais um Werther, que passa por essa Charneca fria e triste... Quero Cores... 

*Imagem livre de internet 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Amar-te, Esperar-te, Viver-te





Amar-te, amar-te, amar-te
Vivo a espera de um amor que se foi
Ai de mim, desgraçado que sou
Por que amar-te tanto fui eu?

Esperar-te, esperar-te, esperar-te
Por que viver a espera inútil do que foi
Se nunca fostes meu
Desgraçado homem sou por esperar-te

Viver-te, viver-te, viver-te
Vivo esta manhã de inverno fria e mórbida
Como posso com a alma gelada, viver, esperar, amar
Desgraçado sou por amar-te ainda depois de tantos anos

Amar-te, Esperar-te, Viver-te
Tenho na alma cravado estes três verbos
Se é que ainda tenho alma, tenho noite
Só tenho noite à alma se foi, eis que morro...

*imagem livre de internet
**esta tarde insana fria, que poderia não ter vivido...


terça-feira, 8 de maio de 2012

Tristeza/Alegria

* A  todos os amigos e amigas 



Penso que existem dois tipos de poetas, aqueles que são tristes e aqueles que são tristes/alegres. Eu tenho maior devoção pelos que são tristes, a beleza desta tristeza poética me encanta, e alimenta meu ser... Eu não sou poeta e nem tenho tamanha pretensão. Gostaria mais não fui agraciado com tamanha graça...

Imaginei que tão cedo não voltaria a escrever, pois só escrevo quando estou triste, tristeza essa que me acompanha desde sempre... Porém vivo um oásis, tenho vivido dias felizes, alegres, coisa rara em minha vida, há séculos tal momento não acontecia...  

Essa cidade com seu Sol claro, vibrante, quente e com uma Lua de intensidade parecida, já foi para me palco de grandes tristezas, mais também de um amor destes sofridos e que lembraremos com saudades (embora sem sofrimentos) por longas datas...

 Mais estes dias aqui vividos, indica que este sofrimento de outrora se dissipa, esvai-se, adeus e vá com Deus, nenhum ser humano merece sofrer tanto por alguém, nem mesmo Werther... Meu coração e minha alma suavizam, sente a brisa e se alegra com esse novo momento, os grandes amores têm disso...

Ainda me apaixonarei muito e sofrerei muito, pois, para me os amores tem que ser intensos, tem que fazer-nos alegres só com a possibilidade do encontro e tristes com o não vir, tem que nos doer o coração quando pensamos e sentimos saudades...

Meus amigos mais próximos dizem que sou ultrarromântico, e sou... Gosto do olhar, do andar e dos ombros se tocarem, gosto de ganhar flores, livros de poesia, penso que até uma ida ao supermercado pode ser um programa romântico...

Por fim vou aproveitar meu oásis, sei que a tristeza não tarda. Mais hoje quero viver, sorrir, amar... Outro dia disse a uma amiga que o tempo das utopias haviam se acabado, hoje volto atrás e digo ELES ESTÃO APENAS COMEÇADO... Com Coldplay termino essa pequena epifania... 

*Foto livre de internet...
**Para nos apaixonarmos, amarmos  não necessariamente temos que ter fatos empíricos se entendemos o amor como busca...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Da Solidão II




A noite está tranquila e calma, no campanário reina um silêncio sagrado. Abro a janela do quarto e recebo no rosto uma brisa silenciosa e fria. No som uma voz melodiosa que tanto gosto, embala meus sentimentos e lembranças.  Ouço o som do vento nas árvores do jardim, um pouco de tristeza invade a solidão do meu ser. Tenho desejado ardentemente viver essa solidão, esse exílio, que eu mesmo escolhi viver... Passei nesses dias por lugares solitários, montanhas, vales, córregos, planícies... Olhos esses lugares e sinto o desejo de colocar meus pés em seus prados e caminhar, rememorando as minhas dores, buscando essa solidão que tanto o meu ser deseja. A noite continua a fazer-me triste, ouço ao longe os pios das corujas na Praça da Igreja. como um ritual de todas as noites, vou ler um pouquinho de Fernando Pessoa, Florbela, e São João da Cruz... Com uma enorme vontade de sair e andar um pouco pela noite, sentir sua brisa leve e fria vou dormir... Gostaria de sonhar...

*Imagem livre de internet

domingo, 22 de abril de 2012

Final de outono...




Já estamos quase no final de outono, e eu quase não escrevi. Lembro-me das tardes belas e tristes já vividas em outros outonos, em outros lugares, outros ventos, outras folhas secas... Sinto falta de muitas coisas, me sinto só, como quase que a vida inteira. Tenho encontrado um pouco de paz e alegria com alguns amigos, com meus CDs e meus livros. Neste outono a vida mudou o percurso totalmente, deixei a estação e peguei outro caminho, outrora já iniciado. O caminhar hoje tem outro sabor. Embora o caminho não exista, sei onde quero chegar. Tenho sonhos, tenho companheiros na caminhada que junto comigo acreditam no valor deste sonho... Sinto-me triste, como sempre a tristeza junto com a fé é a seiva que alimenta meu ser... Hoje depois de tanto tempo sentir o vazio da morte... Como podemos assim deixar de existir, posso compreender C. Lispector quando bradava aos céus “não quero morrer, ouviu Deus”, é incabível pensar neste momento... Não faço o mesmo brado de Clarice, o meu é que não deixe a poesia que amo morrer, o mundo ficaria sem graça e sem sentido sem ela... Ao som de Norah Jones, vou tentar sonhar...

*imagem livre de internet

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Imagem de uma saudade...




Eu fiquei tanto tempo naquela estação, como a música de Caetano. Tentei dissuadir sua partida, mais foi inútil... Você partiu. Quanto tempo meu Deus, meu coração ficou naquela estação, parado esperando sua volta. Quando vi você entrar naquele trem, não sei como sobrevivi, como sobreviveria os dias que seguiriam a partir daquele momento. Confesso que meu desejo era correr atrás e te tira-lo de lá a qualquer preço, más não poderia escolher por ti...

Tantas vezes, voltei àquela estação, principalmente no outono. O outono com suas folhas secas sacudidas pelos ventos testemunharam minhas dores.  Como eu queria que você não fosse... como eu queria que você ficasse. Espero que tenha gostado das paisagens que encontrastes pelo caminho.

Hoje meu coração deixa a estação, enfim entendeu que você não voltará. Agora sei de você porque somos amigos. Que palavra triste quando se ama...

*imagem livre de internet
***Essa música merecia mais porém me encontro em um estado de alma que não consegue mais.
****Para você, como alguns textos deste blog...

domingo, 1 de abril de 2012

Através da Tela


Ao mestre Brandão

Através da Tela surgem os primeiros movimentos
É a vida que brota, leve, solta até ingênua
Pássaro livre, brisa, sombra, sol
Encanto, vida

Através da tela sua vida se desvela
Poesia viva, vivida, homem forte, menino travesso
Através da Tela te vejo, te imagino...
É imagino teus dias de sol, de chuva, teus dias nublados

Através da Tela, surge os dias de drama, os dias românticos,
Os dias de tristeza, a alegria do renascimento
Através da Tela, em dia de Lua, você empresta seu coração à Sombra
És tu que vejo? Será que não?
Não sei, não sei...

Através da Tela vejo, sinto, a beleza de Apolo e Dionísio
Isso é vida...   
Velho? Não, a poesia não tem idade