domingo, 17 de janeiro de 2016

O Homem fracassado




Com toda delicadeza do olhar ele via a chuva cair. Já passava das 15:30, parado na janela do segundo andar, olhava a cidade que era imersa pela chuva, em um tom cinza e solitária era pintada. O apartamento estava frio e quieto, no som uma música que lhe era tão familiar, mas parecia-lhe tão distante. A janela era a tela que projetava o filme triste da própria vida. Era impossível desvencilhar os pensamentos do roteiro mórbido e trágico. Frustrava o desejo de esquecer, esquecer que outrora vivera que seus fracassos tinham-no trazido até esse momento, até a essa cidade que se orgulhava em ser-lhe estranha. Angústia e solidão misturadas com as lágrimas de um homem só e fracassado o invadia com tanta força que teve medo. Ficou ali parado, debruçado a janela o restante da tarde, de súbito teve desejos, de pular, de fumar, de sair desvairado na chuva, porém manteve-se de pé. Era preciso ficar, não sabia por que, e a única maneira de saber era vivendo. Do outro lado da tela, pessoas passavam cada uma com sua pressa, com seus pensamentos e desejos, os quais nunca ninguém virá saber. E esse vai e vem trouxe-o ao ínfimo de vida que ainda lhe restara. Nas lembranças uma leve saudade trágica do que havia deixado para trás. A possibilidade ter tido filhos, de ter firmado com aquele rapaz que tantas noites mal dormidas. Ou simplesmente de ter ido morar no Rio, ou nunca ter saído da aldeia. O apartamento continuava vazio, mas era impossível que não estivesse ou que por algum acaso viesse a ser habitado por outros. Nunca teve muitos amigos, não que não os desejassem, mas definitivamente não tinha vocação para as pessoas. As pessoas lhe cansavam e lhe custava muito as tolerar, todas as pessoas estavam preocupadas em ser aquilo que elas jamais seriam, e isso era tão vulgar. O crepúsculo se anunciava, não havia mais lugar para a tristeza crepuscular, não, era impossível mais tristeza... chorar? O que haveria nas lágrimas que já não estivessem naquele apartamento que agora era de uma estranheza impossível de explicar, tudo parecia derreter-se, tornar-se chuva, escorrer pelos ralos, os livros desciam das prateleiras como bicas de água, contorcia-se de dor, pois os livros era a única riqueza que se orgulhava de ter. Não! Como seria possível? Agora com olhos voltados para dentro de si podia vê os quadros derreter-se nas paredes de suas entranhas, eram parte de um corpo metafisico que não lhe pertencia e que nunca lhe pertencera, de súbito caiu no chão frio da sala. Ainda estava em seu apartamento? Aquela dúvida lhe corroera, teve medo de abrir os olhos, já não havia mais música, era tomado por um silêncio frio, contorceu mais uma vez, recusava a ideia de ainda existir. Ao abrir olhos ele deparou-se consigo mesmo. O apartamento estava como sempre esteve, e aquilo era a fotografia do que ele se tornara. E em que?             


João 
*Sem correção ortográfica
**Imaagem Livre de internet 

sábado, 26 de dezembro de 2015

Crônica de um adeus



A sua partida não foi anunciada e consequentemente não esperada. Logo você, que levou meu coração a sonhar com noites de luar e chuva, dias de sol, poesias e café ao pé da cama.  Enquanto pedalava pelas ruas da cidade nas idas e vindas do trabalho, sempre estava com você em meus pensamentos, planejava viagens, jantares, encontros com amigos nossos ou com aquele que ainda iríamos conhecer, mas tudo foi tão breve... Você se foi.
Como viver os domingos? Nunca gostei dos dias de domingos, eles sempre foram melancólicos, cinzas e tristes, mas, com você eles tiveram outros significados, pois, foi em uma manhã de domingo que lhe conheci de frente para o lago com um sol quente e claro. Você trajava um bermuda jeans, amarrada com cadarços, uma camisa xadrez, cheiro forte de fumaça de algum cigarro, me apaixonei, e sua beleza estava justamente no conjunto que se apresentava, até no seu jeito tímido e despretensioso... 
 Duas coisas ficaram com sua partida, seu cheiro pela casa vazia e a solidão dos dias cinza... Agora não sei lidar com os dias que você aparecia, a consciência sabe que não voltarás a aparecer, mas o hábito do coração anseia e se alegra com a esperança de que talvez venha. E é conhecido de todos que não existe dor maior do que aquela espera por quem não vem. 

Adeus, hoje faço essa crônicas ridícula para lhe dizer, adeus. Como uma palavra tão pequena pode carregar consigo tamanha dor? Vou dobrar a esquina. As esquinas tem essa vantagem, não nos permite olhar para trás, seguir em frente é talvez o melhor conselho que poderia me oferecer... Ficarão três coisas em minha memória: seu cheiro, a imagem de seu corpo negro e nu em minha cama e o café, como nossa bebida preferida. 


* O texto não passou por nenhuma correção.
**Imagem encontrada livremente na internet 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O Beijo


Destes o beijo que eras meu ao outro
Não, não era meu o beijo que devotastes ao outro
Foi-se o beijo, o sorriso, a boca, o rosto, a lembrança
Foi-se o todo no beijo ao outro...

A consciência do beijo é a dor monogâmica
Solidão da distância entre o cais e o paquete
Entre nossos corpos e o outro presente
Já não existem duas almas, nem nosso corpo...

Existe a consciência da poesia que não és minha,
O beijo que jamais será meu, ou
Será só a hipótese da consciência traída...

Quebrou-se a ilusão da noite poética
Ausentou-se o Eu do Tu,

Hoje não poderei te beijar sem beijar o outro... 

*Sem correção ortográfica
** Imagem livre de Internet 

domingo, 3 de maio de 2015

Crônica de Aniversário




Quando criança acreditava que o mundo à medida que iria crescendo ele iria junto comigo, que tudo seria possível. Hoje percebo a meia aurora da vida, que o que é possível mesmo são os sonhos de infância, porque eles já cumprem seu papel no próprio nascedouro. Percebo e como uma tristeza que nosso mundo vai morrendo, pessoas partem para nunca mais voltar, e a cada partida você fica menor, o mundo fica menor, embora novas pessoas apareçam, mas elas não são capazes de segurar a derrocada da partida anterior. Ontem erámos seis. Hoje, sei pouco dos irmãos que dividiram a mesma choupana comigo, um morreu, outros soube que andam envolvidos com drogas, outros serão pais, e eu sigo talvez como um personagem de Sartre em Idade da Razão. Ouvi de um sábio que “morrer não dói”, dói e dói muito, a dor maior é de perceber-se morrendo, e que amanhã é uma possibilidade de não ser possibilidade. Talvez o último ato trágico não tenha importância como os anteriores... O que importa? Talvez não saiba responder, o que importa por enquanto que ainda tenho consciência para pensar isso, que a dor de saber que lá no Norte, muito longe daqui tenho homens amigos, que pelo fato de termos parado na mesma encruzilhada da vida, ali se fez poesia, filosofia, arte, e partimos seguindo o fluxo da morte, os positivos dirão, ´da vida´, não! Da morte mesmo. Os cristãos impôs à nossa cultura que nascemos para a vida, que o que importa mesmo é o paraíso, o céu a metafísica. Não! O que importa mesmo é isso, os humanos que cruzam nossas encruzilhadas, mesmo sabendo que elas estão fazendo parte de nossa morte... Amanhã beberemos meus anos, isso mesmo be-be-re-mos, como em um celebração Dionisíaca, logo em seguida partimos...   

*Imagem de arquivo próprio 
**Texto se devida correção ortográfica 

domingo, 5 de abril de 2015

Retrato



Tinha tudo de menina,
Mas já era mulher, inocente. Mulher!
Com o dançar dos dias desejava descobrir o amor
 Via-se presa sem amarras

Ela era poesia, dessa que só apreciamos nos versos de Cazuza
Queria descobrir o além dos caminhos
E neles perder-se de amores, aqueles reservados aos romances
Era mistura dos ventos do inverno e primavera, mas tinha o fulgor dos ventos do verão ...

A sensualidade explodia de seu olhar
Sua boca era de uma áurea de desejo, paixão e inocência 
Ela caminhava, dançava, girava, sorria e chorava
Tinha a leveza das últimas folhas do outono

Há menina! Não sabes por onde andas,
Desconhecia as ruas que há viu crescer
Ela se molhava, mas não chovia
Eram as lágrimas, doces e inocentes lágrimas


Ela era menina... 

* Texto sem revisão ortográfica.
** Imagem livre de internet
À Paloma

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Carta






“Saudades é solidão acompanhada”

            ...Faz um dia nublado e quente, típico dos dias de verão. Estes dias tem o poder de me deixar triste e introspectivo... E não obstante é domingo, e isso é gravíssimo.
            Não saberei dizer exatamente qual foi o dia em que, pousei meus olhos nos seus olhos, foi por primeiro o que me encantou em você. Consegui em segundos ou milésimos de tempo vislumbrar a eternidade. Ali me sentir feliz!
            Como a canção eu pensei, “ainda bem que agora encontrei você”. Mas, os dias passaram como tinham que ser, e com os dias e minhas confusões você também passou, encontrou morada em outro coração. Eu não sei me comportar diante do amor, e assim foi com você...
            Não chegamos a ter uma história, (sinto saudades disso) quem sabe estórias? Mais confusas que eu mesmo. Porém, a poesia de seus olhos que me transportou à eternidade aquele dia não têm me deixado em paz, por isso, a epígrafe que encabeça essa carta ridícula, como todas as cartas de amor devem ser, como nos lembra o Poeta.
            Aquele dia no bar foi um dia de sensações antagônicas, feliz e triste, Apolo e Dionísio. A felicidade se dava por reencontra-lo depois de tanto tempo, depois de uma viagem abençoada pelos Deuses, voltava depois de tanta beleza e com a esperança nesse reencontro. No entanto Pandora brincou comigo, entre uma cerveja e uma música de Chico Buarque, descobri que não era o homem que esperava para sua vida. Ele teria que ser rico, poxa! Ouvir isso foi de perder o caminho, como diz o dito popular. Enquanto você falava eu fazia os cálculos de minhas riquezas, e ao fim da noite tinha o triste saldo de minhas finanças. Não era Eu. Não tenho nada a te oferecer. Amor, bobagem inventada pelos românticos.
            Diante de tais assertivas, poderia eu lastimar assim como “Jó” o dia em que lhe conheci? Não, esta é a resposta. Pois, foram seus olhos que fizeram com que eu acreditasse na possibilidade da eternidade. Mesmo sabendo que Charlotte era desposada por outro cavalheiro, Werther continuava dia após dia está com Ela, e querer sua presença, pois, o amor tem disso, necessita de presença, de cheiro, de cores, dos sorrisos e das lágrimas. O amor tem necessidade simples como nos lembra Drummond.
            Assim como Werther levou o amor até as últimas consequências, eu também necessito. É preciso morrer. Aqui assumo minha condição de morto. Posso lhe afirmar que morrer não é fácil, mas, a decisão tinha que ser tomada e com certa urgência.
            Talvez minha morte sedenta por ressureição tesa a pergunta, nascerá algo desse “monturo”, de cinzas? Quem sabe, Sta. Tereza usa uma metáfora para falar dos níveis de contemplação da alma, em seus “Castelos Interiores” a figura do castelo e seus aposentos, eu usarei como metáfora a cidade e suas esquinas, quem não nos esbarramos em uma delas, em um outro tempo, e outros sentimentos. Não serão os mesmos olhos e nem mesmo a eternidade exista, e virarei os olhos para não te ver, “é desconcertante rever o grande amor”, olhar nos olhos é de um perigo mortal. Ou...
            Não tenho habilidade para com a palavra, escrita ou não, mas como a vida exige que ponhamos ponto final, estou aqui para dizer Adeus. Estou partindo, com a consciência de que não deixo nada com você, e não quero fazer soma do que levo. No final diferente do inicio não há reticências.
“Posso escrever os versos mais tristes essa noite”

*Perdão pelos erros ortográficos
** Como Ilustração Pablo Nerruda
*** Indicação de Leitura, Os Sofrimentos do Jovem Werther, Castelos Interiores ou Moradas   

***Foto meramente ilustrativa e encontrada livremente na internet 

domingo, 24 de agosto de 2014

Poesia inacabada



As vezes me perco...

É como perder o caminho de volta para casa depois de um dia longo de trabalho

É como andar sozinho as margens, mas com a consciência do caminho

É perceber-se triste, e ser triste, a tristeza é fundamental para se manter vivo,

É vê a porta fechar para nunca mais se abrir, e se por acaso ela se abrir os seres já terão mudado

É como ouvir uma música em um dia de chuva sozinho, outrora ouvida, as músicas tem o poder de aguçar a dor das ausências

É assim que me sinto no outono e inverno

É sempre forçar para não reconhecer o poder da tristeza oriunda das ausências

Acreditar que a vida pode ser diferente não é abandonar a ausência, ou a tristeza que se traz no olhar

O olhar é a alma deixando se levar, sem poder ir enquanto se transborda de ausências


É...

*imagem livre de internet
**texto sem revisão

quinta-feira, 31 de julho de 2014

"Desespero"



Tudo cinza, mas não é inverno
Frio, tristeza dos moribundos e transeuntes
E eu? Sou moribundo ou transeunte?
Já não sei, a cinza destes instantes me apaga

Mas ainda não é inverno...
Aqui dentro sim, tudo cinza e frio
Não estou triste, pois ela se recusa a aceitar-me
Eu sou a cinza do nevoeiro, hoje sou a cinza deste dia vago

Ser cinza é conceito estático e definido de ser algo
Nunca quis ser, nem existir, a força criadora foi arbitrária
E agora como concertar o erro de ser, uma vez que sou cinza?

Dói, não sei onde, nem porque sinto essa dor
A dor é algo mais que dor, é a massa branca e viscosa que da vida a barata de Clarice
Desvincular disso agora já não é possível,

Mais cinza sou, sem saber o que é ser cinza...




*foto livre de internet
**Texto sem correção

quarta-feira, 28 de maio de 2014

...




E hoje que o dia foi cinza e frio
Traz a tarefa de conviver com sua ausência 

hoje ainda começarei a te esquecer...

Primeiro esquecer-me-ei de teu sorriso,
Pois ele me prendia em teus lábios..

Do cheiro do cigarro e de como fumava
Dos teus olhos que me fazia sonhar e acreditar no amanhã...

Hoje dedicar-te-ei os últimos versos que tens direito  
Nenhum de meus versos voltará a lembrar de você, nem mesmo os de lamentos...

Amanhã quando meus olhos pousarem em sua fotografia
Já não terá nenhum outro significado, somente os que são reservados ao passado...

Triste? Sim, pois, mato um ser que amo em mim
Essa dor de morte és minha e não do morto...


E a tristeza deste momento é capaz de ferir a poesia que há no meu ser...

A você


*imagem livre de internet
**Texto sem correção

sábado, 24 de maio de 2014

Pequeno Poeta



Tu menino que não conheço
Que meu coração sente seu fulgor
Menino poeta, que a poesia desconhece
Tu que ainda não sabes amar

Por que me deixa assim, sem seu amor?
Menino de idade pequena
Quantos anos têm?
O tanto permitido aos amantes

Deixa – me visitar-te ao menos uma vez
Os seus versos são o encanto e a poesia que minha alma precisa
Que cunhas o meu coração pelas palavras

Deixar – te – ei com o desejo de vê-lo
Que o sol da poesia ilumina
Este ser que sonha, a hora chegada dos amantes



*Imagem livre de internet
**Texto sem correção

domingo, 18 de maio de 2014

Desespero de um andarilho



A brisa acaricia e abraça meu ser nesta cidade que pouco sabe de mim. Ando a beira da loucura e ela não sabe, sinto tanto por tudo. Não soube lutar quando devia. E agora o frio desta noite calma parece meu infortúnio derradeiro. O que fazer?  Pergunta-me ela. Estou perdido. E a tentação de pular nesse vazio faz-me lembrar Werter naquela noite fatídica em que recebe das mãos daquela a que dedicara seu amor, sua sentença.

Todo desejo do ser é de partir, e o meu não é indiferente. Maldito o dia em que existiu Sartre e suas escolhas. Guimarães tinha razão quando o viver era perigoso. Talvez um último olhar, com a lágrima e o nó na garganta, mas, jamais o adeus. Poucos merecem nosso adeus. Por que não te afastas brisa? Deixe-me, quem saiba o gás seja aberto. “Morrer! Morrer não dói” lembra-nos o poeta... E que o pular seja o fim. Para os crentes um novo início... Eu não. Prefiro o vazio do não ser... E esse é o fim, que seja sem adeus.


Campo Grande, 2014


*Fotografia em site livre na internet.
**Texto sem correção. 










sábado, 1 de fevereiro de 2014

As folhas secas


Por algum tempo, bastava acreditar que seria possível aquele amor. Bastava sentir o vento ao por do sol ao seu lado. Bastava o andar descompromissado, muitas vezes em silêncio, pois não havia necessidade de voz, era justamente no silêncio que nossas almas se encontravam e se entendiam.

Por algum tempo bastava esperar a noite para sentir o cheiro de seus cabelos, para perceber o cansaço nos seus olhos, e eles mesmo eram capazes de dizer que a vida valia apena, e que toda metafísica estava em nossos abraços.

Por algum tempo bastava sonhar com os dias futuros, e os nossos sonhos se encontravam em nossos olhares, dançavam e se confundiam uns com os outros, e já não sabíamos quais eram os seus e nem os meus.

 Por algum tempo bastava acreditar que existia eu e você ou você e eu.
Por algum tempo bastava acreditar que não havia no mundo problema maior que nosso amor, e que se houvesse estaríamos juntos.

 Por algum tempo...

Hoje percebo olhando para nossas memórias que na verdade não bastavam, ou nos perdemos. Hoje não sei de você, também não sabe de mim. Talvez nunca mais saibamos...

Depois que se foi meus dia ficaram mais tristes e cinza, me perco fazendo os mesmos caminhos que fazíamos...


As folhas secas este ano parecem que entendem minha dor, elas são tímidas e quietas... 

*imagem livre de internet

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

verso mínimo



Eu não caibo em conceitos...
Não sei amar...
Também não sei ser imparcial,
Há quem diga que não há imparcialidade no amor...
Se o amor não vai embora...
Eu vou...

Adeus....

sábado, 25 de janeiro de 2014

Esquecer



Não me ensinaram a esquecer...
O abraço na porta
Os beijos no nosso melhor inverno
Aquela música que só de ouvir me fará lembrar você

As lembranças do nosso amor
Os perfumes experimentados 
As idas ao supermercado
As mensagens no meio da madrugada

Esquecer deveria ser de primeira ordem, sim
Meu coração não aguenta mais
As lembranças são demônios a me atormentar a essa hora da vida
Hora essa que a luz se apaga e não consigo dormir...

Não me ensinaram a esquecer
Pois esquecer é morrer
Embora a morte esteja no âmago da vida
E a morte é o esquecimento eterno...

Era essencial que tivessem me ensinado a esquecer 

*Imagem livre de internet
**Não houve correção ortográfica 

sábado, 30 de novembro de 2013

Da Solidão IV




O dia foi triste, porque era o prenúncio de uma noite trágica. A dor que sinto não é porque ele não veio. A dor que sinto é ontológica. Ela é do próprio ser, é minha, não foi acaso o acontecimento, pois desde cedo sentia que Ele não viria. É claro que essa dor que agora me corrói por dentro foi aguçada com a decepção, pois pensei mil coisas que poderíamos fazer ir comer, beber um vinho, ouvir música ou não fazer nada. Mais e agora? Agora tenho que suporta-la, ela é minha faz parte de mim. Dor essa que sei que possuo mais que não reconheço, embora ela seja minha como o nada que me constrói. Agora estou aqui tentando uma fuga... É vivemos de fuga, pois é impossível suportar a dor, essa dor ontológica.  Essa que só o ser corajoso é capaz de reconhecer. 

*Imagem livre na internet
**perdão pelos erros ortográficos 

sábado, 7 de setembro de 2013

Calou-se




Eu acreditei muito nesse amor,
Mais nunca soube o que era esse amor
Também nunca soube se queria saber
Sentia ele e isso bastava, era simples e isso era incrível, você estava aqui...

Também não sabia o que era ser simples
Sabia que o amava e que sonhava com sua volta
Acreditar bastava e me mantinha vivo, e você sempre voltava
 E a vida seguia entre verão e inverno, quente e frio...

Um dia você não voltou...
Na insensatez do amor mantinha me resignado
Buscava-a nos lugares por onde passávamos e fazia a vida acontecer
O não querer acreditar mantinha a ilusão do retorno

Tiveram-me por louco e estava por que só você bastava
Não conheci outro amor, não deixaste-me conhecer
Jurastes que era para sempre e nós acreditamos
E quando muito, estávamos juntos

Hoje o passado já entra em nossa poesia sem compaixão
Assim como você, ao sair e não voltar mais
O que farei das rosas? Das músicas? Dos nossos livros?
Não sei se o que dói mais, se é sua ausência ou a lembrança

Não estou acostumado a não ter você, ontem falamos
Hoje não falamos mais, nos calamos e o que nos resta
A dor do silêncio... E tudo é SILÊNCIO... Não existe mais o nós...
 
*Foto livre de internet 

Eu Lírico





Só sei ser intensa
Não amo pela metade, não existe a metade de mim
Não se tem a metade de um amor,
Também não se tem meia poesia, meia música, meia solidão, meia tristeza

Na minha loucura dou-me por inteira
Sempre me perdi não por ser ingênua, nunca fui ingênua
Me perdi pela intensidade do meu desejo de amar,
De ser amada...

Assim como Beauvoir desejo que me ame hoje
Mais que não queiram me fazer alegre
Alegria é a mimesis dos tolos
Não suporto os felizes, eles mentem, acreditam

Por que acreditam? Não sabem o por que
Eu não acredito, mais tenho a tristeza e amor às vezes
Não queiram saber de minha tristeza ou de minha  loucura,
dos meus amores, que foram tantos e só um

Ele ficou naquele outono
Volto às vezes nele, na minha loucura
Ele tirou-me a paz o pouco que restava e foi-se

Dei tudo a Ele, tudo. Não sei ser meia. Prefiro morrer

*Imagem Livre de internet
**Ele/Ela/ela/ele/eulírico 

sábado, 8 de junho de 2013

Seus Olhos




30 de maio 2013 

Por que insistes em ir...
Tu vais à frente e meu amor lhe busca, deixe ele te alcançar...

Você que tens olhos tão doces...
Por que resistes aos meus olhos...

Desde ontem sabia que nãos virias...
Como acostumar com tua ausência, se tua presença é tão cedo...

Tudo parece tão estranho, não fora ontem que as folhas lhe trouxe...
A pouco te conheci e sinto saudades ...

Por onde andas nesta noite sem lua, se seus olhos são tão doces...
Como posso lhe querer tanto se a pouco eras desconhecido...

Se toda a poesia faz sentido hoje é porque em ti que penso
Por que tivestes que ir, basta de interrogações...
Pois não necessito de respostas...

Sem medo posso lhe confessar o temor de que não voltes...
Se não voltares pelos menos tu me fizestes descobri-me vivo...


As vozes melodiosas que me apresentastes embala essa sua ausência em minha presença... 

*Imagem livre de internet
**A falta de pontuação correta é livre desejo de transgredi-las, também não houve nenhuma correção.

domingo, 21 de abril de 2013

Iporá




Ao despertar nessa manhã de domingo me deparo com um dia lindo, muito sol, brisa leve, cheiro de mato e gente. Na matriz uma missa a acontecer. 

Desses dias em que nos reporta a um lugar que só a alma conhece, e Ela, essa mesma alma, sem nenhum pudor nos remete a esse momento como se de fato fosse verdadeiro.

Estou nesta cidade que outrora fora um lugar de muita alegria e amor, de sonhos e fantasia, dessas que só os apaixonados são capazes de experimentarem.

O dia me contagia de tal forma que o desejo que tenho é sair andar, buscar as folhas secas dos arredores da cidade, sentar em algum lugar e fumar, é fumar, beber um café e ler poesia, é disso que meu ser precisa, por que não uns beijos?

Olho para a cidade clara, o dia brilha, convida para algo especial, como fazer algo especial? Se me sinto triste e solitário, bem que você poderia está aqui, mesmo que não nos falássemos só  o fato de saber de sua presença já agitaria meu ser...

Com lembrança da noite anterior e com a música de Bethânia,  vou por aí, quem sabe não te encontro na curva da estrada de Fernando Pessoa...

* foto livre de internet, simplesmente ilustrativa.  

sábado, 20 de abril de 2013

Absurdos...




Que noite é essa em que passo?
Sozinho, ando encolhido pelos vales de meu ser
Ar noturno, brisa leve, solidão espessa
Ó noite dos ventos mudos, dos abandonados e absurdos 

Ó noite o que esperas de mim?
Se eu me perder, que o dia não me alcance
Que a minha dor não seja diferente dos meninos da calçada
Noite do meu ser, noite de minha alma

Ó Deus por onde andares nessa noite?
Por que não voltares seu olhar por nós, meninos abandonados na solidão
Ó noite de minha alma deixe-me descansar

Ó noite, ó Deus, ó escuridão estou só
Por que meu grito não vos alcança?
Por que roubaram o pouco sorriso que eu tinha?

E eu que não gostava de sorrir...
Mais gostava da noite, da poesia
Por que me roubaram elas?

Roubaram o melhor de mim...


*imagem ilustrativa de internet